Intervenção de Samuel Tomé, representante do Grupo Parlamentar do PEV no Debate “A Responsabilidade Política para o Desenvolvimento Local”

Encontro Nacional “Juventude e Desenvolvimento Local”

Hotel Lux Fátima, 21 de novembro de 2015

"É importante a participação dos jovens em todos os órgãos da escola, pois não há ninguém mais indicado para dizer o que está mal. É importante que fundamentem e divulguem os vossos colegas." - Samuel Tomé (Partido Ecologista - Os Verdes)















Bom dia a todos e a todas,
Antes de mais, quero agradecer em nome do Grupo Parlamentar do Partido Ecologista “Os Verdes” o convite dirigido pela Federação das Associações Juvenis do Distrito de Santarém (FAJUDIS). Em meu nome pessoal, gostaria de dizer que é um prazer poder estar presente neste debate, no meu distrito e numa cidade onde já vivi e exerci a minha atividade profissional.

A participação jovem na sociedade
Os Verdes e a sua organização para a juventude, a Ecolojovem, vêm no associativismo uma importante forma de mobilização dos jovens, sendo este um meio de incutir nos jovens um espírito de participação cívica em torno das mais diversas questões (ambientais, desportivas, culturais, entre outras).
Os grandes problemas dos jovens são transversais a toda a sociedade (mobilidade, emprego, educação, habitação, saúde, entre outros). Assim, é importante a presença dos jovens da definição de qualquer género de políticas, e imprescindível nas políticas específicas da juventude.
O início da participação jovem nos movimentos associativos poderá começar precisamente nas associações de estudantes das escolas básicas e principalmente secundárias. Por outro lado, é ainda dentro deste âmbito escolar que é importante ter os jovens presentes nos órgãos de gestão escolar. Com efeito, estão previstos representações de estudantes nos conselhos pedagógicos e no conselho geral. É importante que as escolas fomentem a presença dos alunos nestes órgãos, pois o superior interesse abordado nas reuniões é o dos alunos. Ninguém melhor que um aluno poderá expor os principais problemas dos seus pares. É aqui que se deve começar a incutir um espírito de responsabilidade, mas principalmente de participação cívica, nos jovens.
Um outro espaço onde os jovens podem e devem ter um papel ativo é nos Conselhos Municipais de Juventude. Com efeito, as câmaras devem não procurar que este seja um espaço para legitimar o que querem, mas sim onde possa existir uma ampla discussão, reflexão e tomada de posição em torno das questões que são prementes para a juventude, e cujas soluções podem ser encontradas no plano autárquico.

Os Jovens nos Verdes
Os Verdes procuram que exista uma proximidade entre eleitos e dirigentes e os jovens, não só no plano nacional, como no plano local. Esta proximidade não se cinge a quem tem “cartão”, ou seja, a quem é militante, mas a todos aqueles que querem participar e dar o seu contributo. São várias as iniciativas, e podemos destacar, a nível nacional, o Acampamento da Ecolojovem. Subordinado a um determinado tema, acontece todos os anos no final de agosto, e congrega em si um vasto número de jovens, com as mais diversas ações: sessões de esclarecimento, debates, visitas a entidades, distribuição de documentação, entre outras.
A nível local posso dar como exemplo as últimas autárquicas, onde no concelho de Almeirim foi promovido uma ação de apoio à candidata da CDU à Câmara Municipal, Sónia Colaço, membro dos “Verdes” e da Ecolojovem. Houve um debate/ conversa informal com a candidata sobre alguns problemas dos jovens, como a questão do emprego, e também sobre a situação política (esta iniciativa foi na semana da famosa “demissão irrevogável”).
Os Verdes acreditam que é importante a presença de todos. Só assim se conseguirá construir uma verdadeira democracia e uma cidadania mais ativa. Contudo, temos presente que a mobilização é uma parte difícil. Os “Verdes”, por serem um projeto político com questões que despertam o interesse dos jovens (como a ecologia), tem esta dificuldade atenuada.

Responsabilidade política para o desenvolvimento local
Todos nós, como cidadãos, temos o direito de participar na vida política da nossa sociedade, seja a nível local ou nacional. A primeira e essencial forma de participação é o voto. Com efeito, este é a forma de podermos ter uma voz ativa sobre quem queremos que dirija o país. Além disto, todos temos a oportunidade de questionar o poder político. Temos como exemplo os contactos dos deputados, no site da Assembleia da República ou a possibilidade de ir ao espaço reservado às intervenções do público nas sessões públicas das câmaras e assembleias municipais.
Os Verdes têm assumido uma política de representatividade de jovens em órgãos políticos, como assembleias municipais, de freguesia ou executivos municipais. Em Almeirim, eu próprio faço parte da Assembleia Municipal e a vereadora da CDU é também ela uma jovem.
As decisões tomadas nos órgãos políticos pelos Verdes são objeto de debate e reflexão dos coletivos, onde estão não só os jovens, como todos aqueles que queiram estar presentes. O nosso modo de estar na política reflete mesmo isto: a discussão dos temas e o contributo de todos para que a decisão tomada seja de um coletivo e não apenas da pessoa que está no órgão. Nesta forma de fazer política acreditamos que há o que realmente motive as pessoas as estarem presentes e a dar o seu contributo: têm uma voz na defesa dos interesses coletivos e na melhoria das condições de vida de todos nós.
Os jovens são, sem sombra de dúvida, a alanca necessária ao desenvolvimento local. É neles que reside muitas vezes a criatividade e a originalidade necessária a empreender projetos ecologicamente sustentados. O poder político deve apoiar estes mesmos projetos e não ser um entrave. Os Verdes são portadores de uma ideologia que se sustenta num projeto de transformação da sociedade com o objetivo de promover a justiça social, de valorização da natureza, tentando construir assim uma sociedade mais justa, mas desenvolvida, humanizada e sustentável.
Os Verdes têm um lema, que há muito norteia a sua atuação: “Pensar Global, Agir Local”. No nosso entender, é essencial projetar as grandes políticas a um nível geral, contudo, será importante haver uma adaptação às realidades locais. Um dos exemplos que podemos dar aqui foi a campanha “Em Defesa da Produção Nacional”, em que os Verdes defenderam, por todo o país, que devemos consumir aquilo que é produzido a nível nacional. Os Verdes defendem que, nas refeições escolares, sejam privilegiados produtos locais. Isto contribui para o desenvolvimento económico da agricultura local e para uma redução da pegada de carbono com o transporte de bens alimentares.
Para terminar, gostaria de deixar bem vincada esta ideia: Os Verdes defendem que o debate coletivo sobre temas estruturantes da nossa sociedade é o caminho para o exercício pleno da nossa cidadania. As pessoas devem discutir e expor as suas ideias sobre determinado tema, e nos Verdes procuramos que isso aconteça, não só nos órgão nacionais, como sobretudo nos coletivos regionais e locais.
Defendemos ainda que é necessário que as pessoas estejam na política de forma séria, transparente e sem se desviarem daquilo que é essencial – fazer da política uma atividade nobre, que tenha como objetivo e preocupação o bem-estar coletivo e o desenvolvimento do país e não permitir que outros valores se sobreponham. É assim que sabemos estar na política.



Sem comentários: