4º Encontro de Eleitos e Activistas Verdes - Agir Local - Intervenção da Juventude

Gostaria de iniciar a minha intervenção dizendo que esta semana passe por duas situações que me "chocaram" e que de certa forma retratam a realidade actual dos serviços em Portugal.

Uma delas foi o facto de ser trabalhadora-estudante e que para ter acesso ao estatuto, ser necessário uma declaração da segurança social sobre a minha situação contributiva. Em Lisboa, já não existem balcões de atendimento ao público sendo que para atendimento presencial, é necessário marcar via Internet para o qual é necessária uma password que demora cerca de 1 a 2 semanas a chegar, ou via telefone para um número de linha directa.

Passei 3 dias a tentar falar com a segurança social, uma vez que o prazo para entregar a declaração estava a chegar ao fim e a password ainda não tinha chegado. Nunca cheguei a ser atendida tendo feito em média 40 chamadas por dia.

A outra situação foi o facto de necessitar de marcar uma consulta no centro de saúde. Tentei marcar a consulta via Internet pelo novo portal do cidadão. No entanto, uma vez que não tenho médico de família (o meu reformou-se e não me foi atribuído um novo, num centro de saúde onde faltam 5 médicos) apareceu-me um anúncio dizendo que  meu médico não tinha agenda disponível e que se fosse urgente para contactar o centro de saúde. Assim o fiz. Passei a tarde a tentar contactar o centro de saúde e ao fim de 4h fui atendida. Disse que pretendia marcar uma consulta e obtive a resposta de que as consultas a longo prazo apenas estariam disponíveis a partir de dia 1 de Abril. Então eu questionei a senhora sobre o que fazer caso o meu problema fosse urgente. Ela disse-me que teria que ir para o centro de saúde de manhã esperar pelas vagas do dia, no entanto, isto não era possível às sextas de manhã (era quinta-feira à tarde), pelo que eu teria de esperar 3 dias para poder ter uma consulta. Ainda assim com certeza, esperaria menos tempo do que se fosse para uma urgência hospitalar.

É inacreditável a forma como direitos básicos, como o caso da saúde, conquistados há 4 décadas com o 25 de Abril podem ser desrespeitados e ter tantas barreiras à sua plena fruição.

É, então, necessário "acordar" os jovens para esta afronta aos seus direitos que compromete não só o seu presente como o seu futuro.

O papel da Ecolojovem torna-se então, necessário na defesa de interesses dos jovens e direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa.
É igualmente papel da Ecolojovem estimular todos os jovens que integra para uma cidadania activa e uma participação política. No entanto, importa esclarecer que a participação política não se esgota em campanhas e atos eleitorais e que existem mais formas de participação política além das juventudes partidárias, como são exemplo os movimentos associativos.

Os jovens deparam-se hoje com uma taxa de desemprego que atinge os 40%. Todos os anos o Orçamento de Estado apresenta menos investimento e, consequentemente, maiores cortes em áreas directamente relacionadas com a juventude, como a saúde, a educação, a mobilidade e a cultura, que são direitos humanos consagrados na Carta Universal dos Direitos Humanos.

Graças a estes desinvestimentos, com consequências claras e notáveis, muitos jovens vêm-se na obrigação de emigrar em busca de melhores condições de vida. O que também contribui para consequências na economia, uma vez que foi o estado português a investir na educação destes jovens que vão, depois, contribuir noutros países, fazendo com que o estado português não seja recompensado pelo investimento feito. Para além disso, os jovens são obrigados a deixar para trás, família, amigos, conforto e apoios por um país com pessoas, culturas e hábitos que desconhecem.

Deste modo, torna-se neessário fortalecer e reforçar a participação dos jovens e da Ecolojovem como forma de luta pelos direitos da juventude.

Como nota final gostaria de deixar algumas formas que a Ecolojovem tem de participação como são exemplo os Acampamentos realizados todos os anos, as tomadas de posição e os debates nos quais participa, o Conselho Nacional de Juventude, o Conselho Municipal de Juventude e a Federação de Jovens Verdes Europeus.


Assim se demonstra que a Ecolojovem tem um papel importante no participação política a nível nacional e local e luta por um poder local democrático, sendo um veículo importante dos ecologistas na defesa dos assuntos da juventude.

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