Debate: Participação Política

No passado dia 9 de Fevereiro, a Ecolojovem esteve presente no debate sobre participação política na Escola Profissional de Agentes de Serviço e Apoio Social. Em representação esteve a Beatriz Goulart Pinheiro, membro da Ecolojovem.

Deixa-se, em seguida, a intervenção:


"A Ecolojovem foi criada em 1989 pela necessidade que os membros do PEV sentiram de ter uma organização juvenil que se dedicasse especificamente à área da juventudes e assuntos relacionados com a mesma. Pelas suas características, a Ecolojovem permite a todos os jovens que dela fazem parte ter um papel num projeto de transformação da sociedade. As razões pelas quais pensamos que é importante fazer parte de uma juventude partidária prendem-se com o facto de ser importante ter uma voz ativa na sociedade, de modo a podermos ter uma palavra na decisão do nosso futuro. Para todos aqueles que acham que a política não lhes interessa, é bom que saibam que a política se encontra presente no dia-a-dia de cada um, nos mais variados exemplos, como o salário mínimo nacional que serve não só de base aos salários na função pública, como também aos de muitas empresas do sector privado, os impostos que pagamos, os custos na área da saúde que temos, etc.

É importante lembrar, no entanto, que não só as juventudes partidárias têm voz e que a participação política não se esgota nas eleições e campanhas eleitorais, estando presente em associações de estudantes, coletividades, organizações juvenis, culturais e de desporto... É importante relembrar que os jovens têm qualquer coisa a dizer sobre a sociedade e o seu futuro, uma vez que este também os envolve. 40 anos após o 25 de Abril, Portugal sofreu e está a sofrer um retrocesso social que envolve a juventude. Portugal está empobrecido, não só financeiramente, mas culturalmente, socialmente e ecologicamente; o desemprego tem valores altíssimos, há milhares de jovens desempregados com cursos superiores, mestrados e pós-graduações. Muitos destes jovens são obrigados a emigrar em busca de melhores condições, de uma vida justa e digna que o seu país não lhes proporciona. É necessário que os jovens entendam que, ao contrário daquilo que a comunicação social e os governantes nos querem fazer acreditar,  existem soluções, existem alternativas e que não são todos iguais, mas que para tal, é necessário que as pessoas, e não só os jovens, se envolvam e que entendam que aqueles que tomam as decisões apenas as tomam porque votam neles, e que se outras alternativas forem escolhidas, as políticas e as decisões não têm que seguir o rumo que seguiram até agora.

A Ecolojovem, ao contrário daquilo que outras juventudes partidárias dizem, não sente que exista falta de participação juvenil em termos políticos, caso contrário as juventudes partidárias não existiriam, no entanto, é para nós fácil de verificar que existe um crescente desinteresse sobretudo devido à desacreditação na democracia. É necessário em primeiro esclarecer que a democracia tem as suas falhas, como todos os sistemas criados pelo Homem. No entanto, quando comparada com os restantes sistemas políticos, é a mais justa, e aquela que oferece a todos a possibilidade de ter uma voz. Para além disso, é um sistema  que está em constante construção, tal como o Homem, não é imutável, mas para tal é necessário que haja envolvimento por parte dos indivíduos. Por outro lado, é ainda necessário referir que se o voto recai sempre sobre os mesmos partidos políticos, então nada mudará, porque embora a cara de um partido mude, a sua máquina não muda e os seus objetivos mantém-se, e que no caso deste Governo estão à vista: privatizar tudo o que for nacional e entregar os lucros ao grande capital.

A política deve ser vista como uma atividade nobre e não como uma carreira ou um "dia no escritório". A política é o nosso dia-a-dia quando se vive no sistema democrático, são as leis aprovadas,  os debates nos parlamentos, nas assembleias municipais e de freguesia. São as decisões todos os dias tomadas pelos órgãos de gestão nacionais, camarários, etc. e que influenciam direta ou indiretamente as nossas vidas. Para tal, é necessário que todos participemos, mas que a participação seja feita de forma consciente e informada para que sejamos capazes de defender os nossos interesses, bem como os interesses da maioria de modo a obter políticas mais justas e sustentáveis."

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