Uma reorganização em jeito de destruição curricular





O Governo apresentou um documento, que intitulou de “Revisão da Estrutura Curricular”, o qual é, na perspetiva dos Verdes, uma aberração e representa um retrocesso da conceção de ensino, como nunca se pensaria imaginar em pleno século XXI.

O que se defende ali é que a escola seja uma fábrica com a seguinte linha de produção: os professores passam conteúdos para os estudantes e os estudantes passam os conteúdos para as provas de avaliação. Chegados aqui temos o produto concluído.

Esta é uma conceção profundamente retrógrada que não privilegia as competências, mas apenas os conteúdos momentâneos e a memorização imediata desses conteúdos. Ora, como nós supostamente não estamos a formatar robôs, mas sim a formar crianças e jovens que futuramente serão o centro da atividade deste país, e que, tendo todos os defeitos e todas as virtudes de ser-se humano, devem ter todas as suas competências desenvolvidas para um amplo aproveitamento das suas capacidades, esta lógica torna-se, então, profundamente preocupante.

E é nesta lógica, que o Ministério da Educação concebe, que há disciplinas essenciais e que as outras são meros “verbos de encher”.

Assim, a formação cívica sai do currículo, porque provavelmente aos olhos do Governo ensaiar com os alunos práticas de civismo, práticas de solidariedade, práticas de cooperação e vivências coletivas é uma perda de tempo.

Por outro lado, o ensino artístico e tecnológico é completamente desvalorizado. Ora, é este ensino que passa competências de saber fazer para os estudantes, é o que lhes permite, por exemplo, contacto com os materiais, a identificação de matérias, as suas caraterísticas e propriedades, o conhecimento das suas formas, dimensões, texturas, a prática de montagem e desmontagem, medições, representações, as funções técnicas dos objetos, as suas funções sociais, económicas, históricas, a sua técnica de manuseamento, o aperfeiçoamento dos traços e tantas outras coisas. Considerar isto não essencial é de uma visão absolutamente restritiva do ato de educar.

Se recuarmos 20 anos apercebemo-nos que os alunos tinham três tempos de 50 minutos de educação visual com um professor e cinco tempos de 50 minutos de trabalhos manuais, aqui com 2 professores. Em 1991 reduziu-se esta componente de ensino para cinco tempos de 50 minutos de educação visual e tecnológica, com par pedagógico. Em 2001 a educação visual e tecnológica passa a quatro tempos de 45 minutos, ainda com par pedagógico. Na legislatura passada, as tentativas de eliminação do par pedagógico foram imensas. E agora o que este Governo propõe é a separação da educação visual e da educação tecnológica (integrando esta última com as tecnologias de informação e comunicação, que é coisa bem distinta), com 2 tempos de 45 minutos cada uma e com apenas um professor para cada, ou seja com o fim do par pedagógico. Percebe-se, nesta abordagem de uma história de curto prazo, a desvalorização que esta componente de ensino inadmissivelmente tem tido. Isto no 2º ciclo, porque no último ano do 3º ciclo o Governo propõe-se acabar pura e simplesmente com a educação tecnológica e também em todo o 3º ciclo acaba com as tecnologias de informação e comunicação.

De referir que também as ciências da natureza perdem relevância para o Governo, quando se acaba com o desdobramento, no 2º ciclo, assumindo-se que a atividade experimental é perfeitamente passível de ser feita com toda a turma. Ou seja, ter 14 crianças a proceder a experiências práticas ou ter 28 crianças em simultâneo a fazê-lo é completamente igual, para o Ministério da Educação, ao nível das aprendizagens. Para o Governo no 2º ciclo a experimentação em ciências da natureza passa a ser feita pelo professor e os alunos só têm que visualizar... mas experimentar não! Cá está, a “técnica de empinar” levada ao seu extremo!

O que o PEV é fundamental afirmar, neste momento, é que o ensino é necessariamente formado pelas mais diversas componentes que devem trabalhar competências e conhecimentos e interligá-los de forma constante. O ensino trabalha desejavelmente a formação integral do indivíduos, gerando-lhes oportunidade de conhecer, desenvolver, melhorar e aperfeiçoar capacidades. É esse ensino que o Governo quer desprezar, remetendo-o à função central de ler, escrever e contar! Não chega, é demasiado insuficiente e redutor!

Mas não sejamos ingénuos em toda esta história: a verdadeira função central desta revisão curricular é reduzir o número de professores, poupando em salários e em gastos. Quando ouvimos o Ministro da Educação, em entrevista, afirmar que, por exemplo, em educação visual e tecnológica, ter dois professores é um luxo… um luxo!!!!... Percebemos o objectivo e percebemos que a escola pública para o Governo é para dar os mínimos possíveis porque quem quer luxos, leia-se “boas aprendizagens”, optará por escolas privadas. É isto: é o esvaziamento da qualidade da escola pública, para o Governo não gastar recursos e porque a garantia é que, quem pode, paga escolas privadas aos seus filhos.

E assim se desvaloriza a escola pública para uma geração que não voltará a ter oportunidade de a reganhar no tempo devido!


Ecolojovem – «Os Verdes» acusa Governo de promover o abandono de jovens no Ensino Superior

De acordo com a comunicação social, há cada vez mais estudantes a desistir dos seus cursos no Ensino Superior, por razões económicas.

Para a Ecolojovem esta é uma situação revoltante e demonstrativa do que têm sido as políticas de Educação e Ensino dos sucessivos governos de PS, PSD e CDS-PP, num claro desinvestimento na formação dos seus jovens.

“Os Verdes” na Assembleia da República têm denunciado diversos casos de abandono da frequência do Ensino Superior e apresentaram Projectos de Resolução no sentido de haver uma revisão das normas de atribuição de Bolsas de Estudo.

As alterações das regras de atribuição de prestações sociais levam a que os estudantes e suas famílias se deparem com imensas dificuldades devido às despesas com o ensino, que tem custos elevadíssimos, e o sistema de Acção Social Escolar está longe de abranger todos os que necessitam, baseando-se num modelo de atribuição de bolsas injusto e pondo em causa a continuação dos estudos de muitos alunos.

Este sistema está de tal ordem desordenado que muitos jovens ainda aguardam resposta dos Serviços de Acção Social, e mesmo os estudantes a quem foi atribuída bolsa de estudo, têm problemas devido aos atrasos constantes da transferência da mesma.

Os jovens ecologistas repudiam também o aumento brutal que as propinas têm tido, sendo na maioria dos casos superior a mil euros, um valor que, para muitas famílias fica, aquém do valor dos seus salários, mostrando mais uma vez que o violento esforço para manter os estudantes no Ensino Superior é realizado unicamente pelo agregado familiar.

A Ecolojovem – «Os Verdes» manifesta a sua total discordância e contestação para com esta realidade, pois reconhece que só com reais políticas de investimento no Ensino e um sistema mais justo e democrático se garante o Direito ao Ensino, consagrado na Constituição da República Portuguesa.


A Ecolojovem – «Os Verdes»


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Lisboa, 25 de Janeiro de 2012


Ecolojovem -«Os Verdes» presente na AG do Conselho Nacional de Juventude

A Assembleia Geral do Conselho Nacional de Juventude, reuniu no passado dia 15 de Janeiro em Lisboa, no Espaço Ágora da AAL, com vários assuntos na Ordem de Trabalhos nomeadamente a discussão e votação dos novos Estatutos do CNJ.

A Ecolojovem-«Os Verdes» apresentou uma saudação sobre a Classificação do Sobreiro como Árvore Nacional, tendo a mesma sido aprovada por maioria.

Saudação
“Pela Classificação do Sobreiro como Árvore Nacional de Portugal”

“…nenhuma árvore dá mais exigindo tão pouco…” in Prof. Vieira Natividade, Subericultura (1950)

O Sobreiro (Quercus suber) é uma árvore mediterrânica que se estende a todo o território continental e ocupa, em Portugal, cerca de 737 000 ha, o que corresponde a cerca de 32% da área que esta espécie ocupa em todo o Mediterrâneo Ocidental.

Os montados constituem um exemplo claro de como um sistema agro-silvo-pastoril tradicional pode ser sustentável, preservando os solos e dando vida ao mundo rural, contribuindo, dessa forma, para combater a desertificação e consequente desordenamento do nosso território. Os montados são uma mais-valia para as populações locais, mas assumem também um papel importante para a economia nacional.

Considerando que Portugal produz cerca de 200 000 toneladas de cortiça por ano, o que representa mais de metade da produção mundial, o que o torna o maior produtor mundial de cortiça; e que a cortiça constitui, aliás, o único sector onde o nosso País mantém uma posição de liderança a nível internacional, tanto na produção como na transformação e na comercialização.

Considerando, ainda, a enorme biodiversidade associada aos habitats dominados pelo sobreiro, que incluem espécies que se encontram verdadeiramente ameaçadas de extinção e com elevado estatuto de conservação, como por exemplo o lince ibérico, o montado de sobro é considerado habitat prioritário tanto a nível nacional como a nível internacional.

O Conselho Nacional de Juventude – CNJ – reunido em Assembleia Geral, saúda a instituição do Sobreiro como Árvore Nacional de Portugal, como forma de valorizar a importância deste verdadeiro património, que constitui um ecossistema único no mundo.
Lisboa, 15 de Janeiro de 2012

REVISÃO CURRICULAR: “OS VERDES” QUEREM ESTUDOS SOBRE NÚMERO DE ALUNOS POR TURMA



A Deputada Heloísa Apolónia, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República um requerimento em que solicita ao Governo, através do Ministério da Educação e Ciência, o envio dos estudos referidos pelo Sr. Ministro Nuno Crato, na reunião da Comissão de Educação, no dia 10 de janeiro, que concluem que um vasto número de alunos por turma melhora as aprendizagens.

PERGUNTA:

Ontem, dia 10 de janeiro, em sede de Comissão Parlamentar de Educação, questionei o Sr. Ministro Nuno Crato sobre a contradição entre a exigência de maior carga horária em certas disciplinas, que o Ministério pretende implementar com aquela que designa de revisão curricular, e o aumento do número de alunos por turma.

A questão é que um elevado número de alunos por turma, retira eficácia de aprendizagem, quer porque o acompanhamento deixa de ser mais direcionado para as características concretas das pessoas que formam essa turma, quer porque a possibilidade de participação nas aulas é mais reduzida, entre outras razões.

De resto, também quando o Ministério propõe o fim do desdobramento em ciências, no 2º ciclo, impedindo a experimentação prática por parte dos estudantes, ou quando propõe o fim do par pedagógico em EVT, o que está é a promover na prática é um significativo "aumento de alunos por turma", desvalorizando as aprendizagens de caráter prático, e o ensino mais acompanhado, extraordinariamente relevantes para a formação integral dos indivíduos.

Servem estas considerações para reafirmar a nossa perplexidade porquanto o Sr Ministro me respondeu, na referida reunião, que um maior número de alunos por turma promove melhores aprendizagens, dizendo que há estudos (nos quais pelos vistos se baseia) que assentam nessa premissa.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exa A Presidente da Assembleia da República que remeta ao Ministério da Educação o presente Requerimento, através do qual:

Solicito o envio dos estudos referidos pelo Sr. Ministro, na reunião da Comissão de Educação, no dia 10 de janeiro, que concluem que um vasto número de alunos por turma melhora as aprendizagens.


O Grupo Parlamentar “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”

T: 213919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769



Lisboa, 11 de Janeiro de 2012